Detran traça perfil dos ciclistas de Belém e Ananindeua

Belém, 31 de outubro de 2017.

Ciclistas de Belém e Ananindeua consideram que o desrespeito por parte dos demais condutores é o maior risco que correm nas vias. Esta constatação vem da pesquisa Ação Pedalada Segura, realizada pelo Departamento de Trânsito do Estado (Detran) no primeiro semestre deste ano, que traçou um perfil dos ciclistas destas cidades. 

A bicicleta, não somente em Belém mas também nos demais centros urbanos, vem se tornando um dos meios de transporte mais utilizados pelas pessoas, trazendo benefícios para o cidadão e a possibilidade de melhor mobilidade comparada ao tráfego de outros meios de transporte nas vias. Diante deste cenário, surgiu a necessidade de uma pesquisa com o objetivo de levantar um diagnóstico das pessoas que utilizam a bicicleta como meio de locomoção em Belém e Ananindeua, nos perímetros das avenidas Augusto Montenegro, Independência, João Paulo II, Duque de Caxias, Rodovia Arthur Bernardes e BR-316. 

A pesquisa, realizada prioritariamente nas vias que possuem ciclovia ou ciclofaixa e que possuem maior fluxo de veículos e ciclistas, foi feita por 10 servidores do quadro do órgão e 4 estagiários. Foram respondidos 900 questionários, o suficiente para gerar um perfil dos entrevistados. 

Os dados dão conta de que a predominância no uso do transporte é masculina acima de 41 anos. A maior parte possui escolaridade até o ensino fundamental incompleto e reside em Belém e Ananindeua. Com relação a renda familiar, 568 condutores declararam receber de 1 a 2 salários mínimos, sendo que 179 responderam que suas rendas atingem até um salário mínimo. A maior parte dos condutores afirmou não consumir bebida alcoólica ao utilizar o veículo. 

A categoria dos pedreiros é a que mais utiliza o veículo dentre as profissões que foram relatadas, regulamentadas ou não pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MPE). Um número expressivo de autônomos também foi registrado. A maior parte dos entrevistados declarou utilizar a bicicleta apenas para o deslocamento às suas atividades laborais, apenas 286 declararam a utilização também para o lazer. 

Para 455 condutores, o veículo é o meio de transporte mais rápido para executar suas atividades, e 283 destes também consideram o veículo uma opção mais barata para aquisição e saudável. Os dados revelam que 597 destes condutores não trocariam a bicicleta por outro meio de transporte e que 755 a utilizam com uma frequência semanal de 6 a 7 dias. 

Com relação a infraestrutura das vias, 317 pessoas relataram que as vias estão em boas condições e 274 as consideram regulares. 

Acidentes 
Sobre os riscos no trânsito, 754 ciclistas afirmaram que o maior perigo que enfrentam é o desrespeito por parte dos demais condutores de carros, motos, ônibus e transporte alternativo. 
Dos 900 ciclistas, 313 homens e 9 mulheres relataram ter sofrido algum tipo de acidente de trânsito na condução da bicicleta. Os entrevistados residentes em Belém foram os que mais sofreram acidentes, um total de 174. Os que utilizam a bicicleta para trabalho e lazer apresentaram maior ocorrência de envolvimentos em acidentes, somando 109. 

Os condutores que relataram o desrespeito no trânsito por parte de outros condutores foram os que mais sofreram acidentes, 269 no total. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), transitar com o veículo em ciclovias ou ciclofaixas é infração gravíssima positivada no artigo 193, com multa no valor de R$ 293,47 e penalidade de multa multiplicada por três. 

A pesquisa também aponta que os ciclistas que possuem o hábito de ingerir bebida alcoólica já se envolveram em acidentes. Os que afirmaram terem sofrido danos em seus trajetos enquanto dirigiam sob efeito de bebida alcoólica somam 62. 

A intenção do projeto é que mais pontos de coleta de dados sejam executados em 2018, a fim de atingir o maior número possível de usuários e traçar um perfil mais detalhado e contribuir para investimentos em vias padronizadas e a redução de acidentes com ciclistas. 

 

Por Aldirene Gama


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